sexta-feira, 17 de junho de 2016

Alfabetização - Entrevista à FTD com a professora da USP, Silvia M. Gasparian Colello


https://youtu.be/iVM7oywD8I8

Paulo Freire e sua proposta de ensino para jovens Univesp TV


                                              https://youtu.be/s_3Gmoodpl4

DIMENSÕES DO LETRAMENTO DIGITAL


Discutiu-se, no texto “Dimensões do letramento digital”, a existência tanto de definições operacionais como conceituais do letramento digital. Pode-se perceber, então, a relativa analogia com o debate sobre as práticas de leitura e escrita relacionadas à alfabetização e ao letramento, processos distintos embora complementares. 

Como discutem vários autores, a alfabetização envolve uma apreensão individual do sistema alfabético, com a aquisição de capacidades que se desdobram nas práticas sociais de leitura e escrita, em que se desenvolve o letramento. Enfim, este vai além da aquisição das competências fundamentais por um indivíduo, com preocupações relacionadas a usos mais desenvolvidos e críticos dos recursos culturais (digitais ou não). 

Ao abordar a questão dos múltiplos letramentos digitais, é interessante observar que o letramento relaciona-se à participação competente em “eventos de letramento”, conforme discute Magda Soares (2002). Mas o que são tais eventos e como podemos levar essa ideia ao mundo digital? Os eventos de letramento podem ser entendidos como qualquer ocasião em que o escrito está presente numa interação entre indivíduos, sendo relevante na própria interpretação do acontecimento. 

Nesse sentido, no atual contexto, o desdobramento do letramento analógico para a realidade digital é evidente. Um exemplo: você informa ao taxista o endereço aonde quer ir e junto com ele consulta um guia de ruas impresso. Mas, com a disseminação do GPS, é provável que a leitura do mapa envolva agora um dispositivo tecnológico que atua como mediador na interação. Em ocasiões como essa, em que o texto se torna eletrônico e a leitura passa a ter por suporte tais aparelhos, podemos falar em letramento digital. 

Entretanto, se cada vez mais a produção e a leitura de textos escritos envolvem tecnologias digitais, faz sentido separar o letramento do letramento digital? Para alguns, não; e o letramento digital seria a condição letrada padrão hoje. Essa é a opinião do professor e pesquisador Marcelo Buzato, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo. 

Porém, se o paralelismo e o entrelaçamento de sentidos entre o letramento analógico e o digital funcionam bem, é necessário reforçar que, no contexto digital, quando se produzem textos escritos, podem-se desenvolver comunicações com o som, com a imagem estática ou em movimento. Por vezes, ainda, tais linguagens são combinadas, o que é chamado de multimodalidade ou multimídia. 

Em suma, o ambiente digital comporta diferentes formas de representação simbólica. O “novo” dos novos letramentos (inclusive o digital) se associa a uma série de práticas sociais (o blog, o podcast, o compartilhamentos de fotos ou vídeos por meio de plataformas com essa finalidade, o meme etc.) e linguagens emergentes, como enfatizam Lankshear e Knobel (2008). É por isso que esses autores salientam um conceito de letramentos digitais (no plural) alicerçado nas diversas práticas sociais contextualizadas em que os indivíduos se envolvem com o uso de tecnologias. Estamos no terreno de “múltiplos letramentos”. Para Lankshear e Knobel (2008), a amplitude de definições sobre o letramento digital, a conexão entre esse conceito pluralizado e a noção de “letramento como prática”, da perspectiva teórica sociocultural, e o fato de que dar mais abrangência ao letramento digital e seus significados pode favorecer a reflexão sobre questões de aprendizado justificam essa alteração na nomenclatura. 

Ao mesmo tempo, essas práticas que envolvem o digital, no contexto da “cultura da convergência” (JENKINS, 2009), relacionam-se, dialogam, sendo eventualmente ampliadas com outros formatos e linguagens, desde analógicos/tradicionais, como o cinema, as histórias em quadrinhos, os programas de televisão, até os digitais, desenvolvidos nos ambientes virtuais. Esse fluxo comunicativo compete pela atenção dos jovens e estudantes, dando sentido ao modo como vivemos no mundo atual, e, por isso, afeta os contextos educativos. 

Não por acaso, parte significativa do debate sobre a necessidade de os jovens desenvolverem competências relacionadas com a comunicação no mundo contemporâneo (tanto em termos de consumo crítico como de produção) se dá na discussão sobre a chamada media education (educação midiática), englobando dimensões relacionadas com o letramento digital. Este é o caso do influente trabalho de Jenkins e colaboradores (2006, p. 29), que observa: 

"Quase todos os novos letramentos envolvem habilidades sociais desenvolvidas por meio da colaboração e práticas de rede. Tais habilidades são desenvolvidas a partir de fundamentos do letramento tradicional, habilidades de pesquisa, habilidades técnicas e habilidades crítico-analíticas ensinadas em sala de aula". 

Pareceria natural, portanto, que as práticas envolvendo os letramentos digitais fossem assumidas pela escola, mas isso nem sempre acontece – e, dependendo do contexto, talvez raramente ocorra. Por quê? Na avaliação de Jenkins et al. (2006), porque muitas pessoas, inclusive educadores, acreditam que os letramentos que envolvem o visual, o audiovisual e o digital podem deslocar (e talvez prejudicar) o letramento tradicional. 

Em vez de simplesmente expor minha opinião sobre este ponto (tema para outro artigo), prefiro indagar a você, professor ou professora: O que pensa sobre o assunto? Os letramentos digitais, os novos letramentos com base nas linguagens não necessariamente textuais podem contribuir para as atividades de letramento mais tradicionais e valorizadas pela escola? 

POR:  Richard Romancin
FONTE:http://www.plataformadoletramento.org.br/ ____________________________________


Referências bibliográficas: 
JENKINS, Henry. Cultura da convergência: a colisão entre os velhos e novos meios de comunicação. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009. 
JENKINS, Henry et al. Confronting the Challenges of Participatory Culture: Media Education for the 21st Century. Occasional Paper. Boston, MA: MIT/MacArthur Foundation, 2006. Disponível em:http://mitpress.mit.edu/sites/default/files/titles/free_download/9780262513623_Confronting_the_Challenges.pdf. Acesso em: 30 jul. 2014. 
LANKSHEAR, Colin; KNOBEL, Michele. Introduction. In: LANKSHEAR, Colin; KNOBEL, Michele (ed.).Digital Literacies: Concepts, Policies and Practices. New York: Peter Lang, 2008, p. 1-16. 
SOARES, Magda. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. Educação & Sociedade. Campinas, v. 23, n. 81, p. 143-160, dez. 2002. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/es/v23n81/13935.pdf. Acesso em: 30 jul. 2014. 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Língua portuguesa em alta nos EUA

Governo diz que várias universidades norte-americanas manifestaram-se interessadas em estabelecer parcerias para a criação de cursos de Língua Portuguesa, área que tem "muito procura".
A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação (SENEC), Teresa Ribeiro, disse que as direções das várias universidades que visitou no Massachusetts, onde residem importantes comunidades de portugueses, ficaram "muitíssimo interessados" com a possibilidade de se estabelecerem parcerias para o ensino de nível superior da língua portuguesa.
"Há uma grande apetência pela língua portuguesa. Queremos explorar outro tipo de parcerias. Visitámos o polo de Boston, da Universidade de Massachusetts, e ficaram muitíssimo interessados com eventuais parcerias que possamos estabelecer no futuro", disse Teresa Ribeiro.
A ideia, explicou, tem por base uma "nova estruturação" a uma oferta de cursos de Língua Portuguesa que respondam a novas necessidades, que, no seu entender, já não são apenas as académicas estritas mas, pelo contrário, sejam mais dirigidas a quem precisa de aprender a língua porque quer, por exemplo, fazer negócios num país lusófono.
"Tudo isto com uma certificação agregada. Há a possibilidade de olharmos para novas ofertas de uma forma estruturada, através de parcerias com universidades norte-americanas. Eles dizem-nos que têm procura de pessoas para aprender português. Temos de estar preparados para isso", sublinhou.
Teresa Ribeiro indicou, por outro lado, que assinou dois protocolos de cooperação para promover a Língua Portuguesa nos Estados Unidos, um com o Bristol Community College, que conta com um lusocentro e uma biblioteca lusófona, e outro com o polo de Dartmoutth da Universidade de Massachusetts, onde existe um centro de estudos portugueses que, disse, está "muito avançado".
Neste polo, há também um vasto acervo sobre as culturas brasileira e cabo-verdiana, acrescentou Teresa Ribeiro, que está desde o início desta semana nos Estados Unidos para uma visita "multifacetada", com componentes ligadas às comunidades, com contactos políticos, promoção da língua portuguesa e vertente académica.
"É uma visita muito multifacetada, integrando componentes muito diferentes, como a política. Tive um conjunto alargado de contactos no Departamento de Estado.
Outra dimensão foi a académica, em particular com o MIT, que envolveu uma discussão com os que estão diretamente envolvidos no programa daquilo que é o MIT", sublinhou.
Teresa Ribeiro salientou que, na reunião no MIT, disse haver a necessidade de se fazerem "avaliações exigentes", tendo chamado a atenção de que o programa do Massachusetts Institut of Technology é "muitíssimo relevante para Portugal", onde é preciso apostar na investigação e na educação.
Outro aspeto foi a necessidade da avaliação do MIT ao próprio programa. Era bom que fosse incluída alguma avaliação de impacto sobre a economia em geral. Como é que o MIT, não apenas do ponto de vista da ciência, da produção de documentos científicos ou da atribuição de doutoramentos, etc, percebeu como os programas afetaram o tecido empresarial português.
FONTE: http://www.globalmediagroup.pt/

sábado, 11 de junho de 2016

TURISMO PEDAGÓGICO



O turismo pedagógico é aposta das escolas para associar conhecimento e cultura. De acordo com Sérvulo Clermont, diretor da DNA Turismo, as viagens no segmento educacional crescem muito na Grande Vitória. “Este tipo de viagem trabalha o lado cultural e social com os alunos, eles aprendem sobre o local que estão conhecendo, e também a trabalhar em grupo. É uma vivência de tudo aquilo que se estuda na sala de aula e um aprendizado pessoal”, garante Clermont.
Esse tipo de turismo é um segmento que tem atraído escolas, pais e alunos, já que garante ao estudante um reforço do aprendizado externo a sala de aula. Segundo apontamentos de pesquisas nós lembramos 20% de tudo que escutamos, 50% do que vemos e 80% do que fazemos.
A escola Monteiro Lobato, em Vitória levou para Machu Picchu, no Peru, um grupo de 27 alunos, dos primeiros e segundos anos do Ensino Médio. A viagem de quatro dias começou pelo complexo arqueológico Pachacamac, que significa Criador do Mundo, e passar pela Praça Maior de Lima, onde Francisco Pizarro fundou a cidade. Outro roteiro histórico será a igreja de São Francisco, Cusco e o Vale Sagrado dos Incas, fechando a expedição com uma visita à cidade perdida dos incas, Machu Picchu.
Machu Picchu é o berço de uma civilização rica em história, de acordo com a professora Patrizia Lovatti os alunos irão trabalhar também matemática e física. “Os Incas possuíam técnicas de engenharia muito avançadas para a época”, destacou a professora. Essa também será uma oportunidade dos alunos praticarem a língua espanhola, que é obrigatória do sexto ano ao segundo ano do Ensino Médio.
Dessa integração aprendizado e turismo, sairão vídeos e exposição de fotos feita pelos alunos. Ana Carolina Nonato, de 16 anos vai viajar para Machu Picchu e está ansiosa. “Quero visitar os templos religiosos, descobrir como são feitas as construções de pedra, provar da culinária e ver o Oceano Pacífico”, contou a adolescente que quer ser arquiteta.
Para maior integração os professores reforçam as aulas relacionadas a matemática, geografia, história e língua espanhola. O professor de geografia, Diogo Varejão que os alunos farão ligação com as características físicas de Machu Picchu e o Brasil. “Vamos abordar o relevo mais elevado, algo que não temos no País, características climáticas, altitude, e até as conseqüências do ar rarefeito”.
O que é turismo pedagógico

O turismo pedagógico gera uma interação homem e espaço, uma expectativa do saber geográfico, físico, biológico, ecológico, cultural, entre outros. As atividades práticas garantem mais conhecimento ao conteúdo aprendido em sala de aulas e permitem uma nova forma de construir o conhecimento do aluno. Essa modalidade de turismo também funciona como ferramenta de dimensão educacional, permitindo descobertas, interação, relacionamento, e aprendizado.
O turismo pedagógico acontece desde o século XVIII, começou com jovem aristocracia inglesa viajando para as principais cidades européia. Hoje a atividade vem sendo apontada como facilitador do processo ensino-aprendizagem, uma oportunidade única de explorar a relação homem-espaço, com perspectivas de conhecimentos infinitas.
FONTE: http://www.folhavitoria.com.br/

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Golpe, Golpes


Não pretendo fazer um ensaio “amarrado” sobre o emprego da palavra “golpe” (quem diz que não pretende fazer, em geral não saberia fazer).
Faço pouco mais que entregar uma listinha de fenômenos que alguém poderia levar em conta para tratar mais adequadamente da questão (quem sabe eu mesmo, em outra ocasião, com dados mais numerosos, que hoje se podem encontrar nas redes).
A primeira observação leva em conta que a palavra “golpe”, quando ocorre no campo político (ou seja, sem considerar os golpes cometidos na praça e os dos boxeadores ou lutadores de MMA), pode ocorrer sem  ou com adjetivo.
Se se diz que houve um golpe em determinado país, a interpretação típica é que ele foi levado a termo por militares, com tanques ou outros equipamentos militares, conforme o caso (no golpe de Pinochet, no Chile, o La Moneda foi bombardeado por aviões – quer dizer, por bombas atiradas de aviões).
O golpe sem adjetivos equivale a golpe militar. Ou a golpe clássico, como também é chamado. Um linguista cognitivista – dependendo do cognitivismo que adota – pode chamá-lo de golpe prototípico (“golpe” sem adjeticvo é o golpe prototípico ou militar).
O fato de haver outras formas de designar golpes indica que se acredita (Bobbio, por exemplo, que não é um cara do tipo Temer) que há outros tipos de golpe – que são considerados golpes, analisados como golpes, embora não sejam golpes militares ou clássicos.
Duas designações são bastante correntes: uma é “golpe parlamentar”, expressão que já explica como é feito: em vez de militares, parlamentares; em vez dos tiros (ou dos tanques), certa leitura da Constituição e/ou de outras leis. A maioria parlamentar faz o papel dos tanques: passa por cima da minoria e, às vezes, da Constituição.
A outra, quase sinônima, é “golpe político”. Isto é, levado a efeito, concretizado pelos políticos. Que são sempre os parlamentares, por isso é quase um sinônimo perfeito.
A palavra “golpe” é portadora de uma memória bastante negativa. Por isso, nem os golpistas gostam dela. Tentam usar “revolução” (como em 1964) ou “impeachment”, como agora (às vezes traduzem: “impedimento”).
Os defensores da viabilidade ou legalidade do impeachment não aceitam que ele seja um golpe ou que seja equiparado a um golpe.
As alternativas (o “ou”) se deve ao fato de que o verbo “ser” é traiçoeiro: pode indicar uma identidade (Brasília é capital do Brasil / A capital do Brasil é Brasília) ou o pertencimento a um conjunto (Brasília é uma cidade).
Dizer que impeachment é golpe, portanto, pode significar que os dois são a mesma coisa (impeachment = golpe) ou que o impeachment é um tipo de golpe (pertence ao conjunto dos golpes). A segunda leitura é sustentada pelas adjetivações “parlamentar” e “político”.
Sendo “golpe” uma palavra carregada de conotações negativas (violência, suspensão das leis, repressão), ninguém quer ser considerado golpista.
Por isso, quando a palavra pega, como agem os golpistas? Tentam fazer com que os adversários é que sejam considerados golpistas, especialmente se propuserem alternativas ao golpe. Foi o que houve no Brasil, especialmente com a proposta de “eleições (diretas) já”, sejam gerais, sejam apenas para presidente.
Um exemplo de reação é esta manchete: NOVAS ELEIÇÕES? PARA O VICE MICHEL TEMER, ANTECIPAR O PLEITO É GOLPE
Ou esta, que é quase uma paráfrase da anterior: GOLPE É ROMPER COM O QUE ESTÁ NA CONSTITUIÇÃO, DIZ TEMER
Ou esta, do grande constitucionalista Romero Jucá: GOLPE É CONVOCAR NOVAS ELEIÇÕES, AFIRMA SENADOR ROMERO JUCÁ.
Em geral, há troco também para esta manobra. Como no seguinte trecho da fala do Ministro da AGU, que colhi em algum site, no qual aparecem ainda outras adjetivações, como “violento”, que quase equivalente a “militar”.
“Golpe de Estado é derrubar ilegalmente um governo constitucionalmente legítimo. Os golpes de estado podem ser violentos ou não, e podem corresponder aos interesses da maioria ou de uma minoria, embora este tipo de ações normalmente só triunfa quando tem apoio popular.O golpe de estado pode consistir simplesmente na aprovação por parte de um órgão de soberaniade um diploma que revogue a constituição e que confira todo o poderes do estado a uma só pessoa ou organização, ou também um golpe militar, em que unidades das forças armadas ou de um exército popular conquistam alguns lugares estratégicos do poder político para assim forçar a rendição do governo. Para ser considerado golpe de Estado, não necessariamente o governante que assumiu o poder pela força tem de ser militar, como aconteceu no Brasil.
Ou esta outra, do mesmo ministro: “Golpe é a deposição inconstitucional de qualquer governo”, defendendo Dilma no Senado, no dia 29/4.
“Golpe” é um dos muitos casos em que se pode ver que as palavras são puxadas para todos os lados. Cada grupo quer fazer um dicionário, porque ele é um lugar importante da luta política.
FONTE: https://blogdosirioblog.wordpress.com